sexta-feira, 23 de abril de 2010

olhar.

Confesso que a impaciência daquela menina me agoniava.Ela não sabia se batia com as unhas nas pernas ou se as roía.Não sabia há quanto tempo ela estava naquele ônibus,mas a minha viagem que seria curta,ficou lenta e emocionante em acompanhar toda aquela adrenalina.
Ela se ocupava em riscar um papel numa tentativa de escrever alguma coisa,mas o sacolejar do veículo a impossibilitava.Independente do que fosse, devia ser algo importante,algo que ela por si nao conseguiria dizer.Ela tinha seus cabelos soltos, enfiada num jeansecamiseta, mas dava pra perceber sua tentativa de parecer atraente, mesmo com aquela carinha de menina e tentando secar lagrimas que ainda nao tinham caído.Ela já não aguentava mais esperar - e nem eu - quando percebi que o destino de toda aquela ansiedade se aproximava.
Ela então saltou do ônibus e olhou em volta, até que conseguimos ver a razão de tudo: ela correu para os braços de um garoto num abraço tão terno que até eu,uma mera invasora de sentimentos alheiros ,pude sentir aquele calor.Por um momento,queria que fosse meu aquele abraço e que o tal menino de sorte reconhecesse aquele gesto.
Fiquei imaginando depois o que poderia ter acontecido naquele fim de tarde e que agora, a impaciência daquela menina que me agoniava era simplesmente amor.E não me cabe saber qual,nem como,muito menos transformar esse olhar num romance a la Romeo&Juliet.
Só me cabe aproveitar das lembranças e me aquecer naquele abraço.



olhar.
(Marina Esmaile Massine S.)

quarta-feira, 14 de abril de 2010


Aaaaaah ! Outro selo !
Muito obrigada ao Blog da Babi , lá de Minas Gerais, por ter me indicado esse Premio Dardos.
Não é o Nobel , nem o Oscar, nem o Palma de Ouro, mas é assim que começamos !
É muito bom saber que tem essa galera que gosta do que a gente escreve, nossa humilde participação na literatura e é isso que dá motivação pra continuar escrevendo.

Agora , deve-se indicar quinze blogs , mas nao farei isso.Vou indicar uns blogs que merecem ser lidos , independente se qualquer coisa,eu os admiro MUITO.

1.Loucura #apenasparaloucos
2.Falando Sozinha. #blablabladaysa
3.Forever Now #dankaulitz
4.Aldo Henrique # não é um blog, mas marecia ser.as melhores ideias, melhres palavras e melhores comics. FAZUMBLOGALDO ! tá ai, Blogaldo é um bom nome!

sao esses 4 ai . um beeeeeeijo galera e mais uma vez OBRIGADA BABI !

:*

quarta-feira, 3 de março de 2010

[aos meus]

Sobre a amizade é evidente que eu posso escrever de olhos fechados.De todos os grandes nomes da poesia, já foram escritos e definidos,personificados e postos em soneto tudo que demonstre essa fidelidade.
Pois bem: fidelidade é uma boa palavra para esse sentimento mútuo entre os amigos.Há quem tenha amigos espontâneos, galã-bobos, faladeiras, filósofos engraçados, fortões sentimentais, aquele amigo pai&mãe, o descolado, o intelectual,o amigo Lua e - porque não - o amigo sumido,que este em especial acaba por ser não um único, mas vários sumidos.Esse companheirismo sem precedentes é que me faz acordar a cada dia com um mesmo novo sorriso no rosto; que me faz transbordar, num êxtase de felicidade a cada abraço apertado ou a um sorriso repentino.
Digo isso caros amigos,porque eu tenho,dentre todos outros seres que me circundam,esses dez amigos que eu sei - e me perdoem por ser tão clichê - que não me faltarão nunca, por mais que me faltem quando os quero junto comigo: todo o tempo.
Então, até o próximo bar, o próximo filme ou a próxima pizza como motivo de passar o tempo, e nao de matar a fome.
Mas qualquer coisa, beijomeliga.



[aos meus]
Marina Esmaile Massine ;)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

[normal]

normal
nor.maladj m+f (lat normale) 1 Conforme à norma; regular. 2 Exemplar, modelar. 3 Geom Perpendicular. 4 Geom Diz-se da linha perpendicular à tangente de uma curva. 5 Biol, Psicol, Social. Conforme a um tipo dado e, portanto, presente na generalidade dos casos.
Definir normalide é algo complicado,mas possível.Agora,quando se trata de exemplificá-la,a coisa muda de figura.Como se estabelece um padrão?Quem o estabelece?Sinceramente, não se sabe.Eu não arriscaria apontar alguém.Eu não gostaria de ser normal, afinal , pra quê?Com todas as minhas loucuras eu sou tão mais feliz; e duvido que alguém arrisque dizer que não tem nada de louco.É necessário,meus jovens,que tenhamos um pouco de loucura, sem ela não seriam feitas as melhores aventuras e desbravamentos.
Mas não vamos mudar o rumo da prosa: querem exigir de nós posturas normais,querem padrão, numa era em que o padrão é cada vez mais instável, vulnerável, interessado.
Se essas palavras não fazem sentido - hão de me perdoar - não me vale a normalidade.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

[pressa]

Eu li cinco capítulos as voltas por te esperar.Confesso que o canto das cigarras,os gritos da vizinha que mais parecia Maria Louca e a música alta que me remetia a velhos tempos,me deixavam cada vez mais anciosa.O que não entendia o porquê.Já sabia o que me diria,e imaginava que rumos aquela conversa tomaria - bem, desse segundo eu nao poderia ter tanta certeza assim.Acho que nunca senti isso na minha vida.Não que eu me lembre.Porque você nao chega logo e acaba de uma vez com toda essa expectativa que me consome há tanto tempo?Eu não vou abrir mão de você por isso, não quero,mesmo que não mereças.Alguém pode dizer pra essa vizinha parar de gritar?


[pressa]
por Marina Esmaile Massine

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

[intromissões]

Era uma cena muito particular, numa passagem um tanto publica.Eles deviam achar que estavam sozinhos ,no entanto,um universo transcrevia aquela cena com tudo o que eles sentiam.
Ele afagava o rosto dela com os polegares e ela parecia se esconder entre os braços dele;se diziam algo,já não me cabe saber, mas confesso que milhões de palavras queriam ser ditas - ou aquele silêncio já era suficiente.
Tanto quanto complicado descrever esta cena,é ser pretensiosa o suficiente para querer imaginar aquele sentimento.Eles perdoarão os transeuntes que ousaram isso - como eu -.



intromissões
(Marina Esmaile Massine)

sábado, 22 de agosto de 2009

incertezas

Levemente as coisas pairam

Raramente as coisas param

Facilmente as coisas passam

Fora de mim

Que fosse simplesmente tê-lo visto

Ou que fosse isto suficiente

Perder num curto espaço – dos devaneios para as palavras – ,

O que deveria ser enternecido.

Talvez aquele seja simplesmente tudo o que eu precisava

Talvez aquele seja simplesmente.

Aquele.


incertezas

(Marina Esmaile Massine Santos)